Maria Augusta

Maria Augusta - Guta - Carneiro Ribeiro / in memoriam

Se fosse possível definir uma Diretora do CACO, Guta, que foi sua Vice-Presidente, em 1969, seria um ótimo exemplo: Aguerrida, firme, jovial, solidária, alto nível de consciência política. Tais qualidades foram algumas de suas marcas. Militante por toda a vida, Guta esteve sempre na vanguarda da resistência de transição, defendendo os direitos e os progressos humanos.

Um de seus filhos, Luis Marola Santos, que irá receber a homenagem por ela, assim a apresenta:

De família baiana, Maria Augusta Carneiro Ribeiro – a Guta – nasceu em Montes Claros – MG e foi criada em Salvador. Veio para o Rio de Janeiro ainda jovem, onde participou dos movimentos estudantis secundarista e universitário.Foi militante de organizações de esquerda que combatiam a ditadura civil militar no Brasil, sendo presa pela primeira vez durante o congresso de Ibiúna, promovido pela UNE em 1968. Novamente presa nos porões da ditadura em maio de 1969, foi torturada até ser libertada por uma das ações revolucionárias mais

conhecidas da luta contra o regime ditatorial brasileiro: o sequestro do Embaixador Americano. Foi a única mulher entre os 15 presos políticos a embarcar no Hércules 56, rumo ao exílio. Banida, passou por México, Cuba, Itália, Chile, Argélia e Suécia, e manteve, durante o exílio, contato com organizações de esquerda nacionais e internacionais e intensa atividade política. Com a anistia política retorna ao Brasil, participa da fundação do Partido dos Trabalhadores e se engaja na luta por direitos humanos, atuando em entidades de diferentes naturezas, como sindicato dos trabalhadores da Vale do Rio Doce, comissão de direitos humanos da ALERJ, Fundação Santa Cabrini (de ressocialização de presos) e, mais recentemente, na Ouvidoria Geral da Petrobras, onde criou um conceito amplo de ouvidoria, incluindo muito fortemente o respeito aos direitos de homens e mulheres no mundo corporativo. Mãe de 3 filhos homens, o mais velho nascido ainda quando estava exilada na Suécia, por onde passava, Guta imprimia sua marca de luta pela defesa dos direitos humanos, pelo respeito à diversidade e pela igualdade de gênero.